A vida ensina, mas é a fadiga que esculpe a lição.
A arte, essa, não se aprende – revela-se.
Há os que já nascem sabendo, sem nunca terem feito,
como se as mãos carregassem um destino mudo.
No início, o coração tropeça em si mesmo,
a mão hesita, vacila, mesmo conhecendo o gesto.
No fim, quando tudo se encerra,
o corpo sente como se tivesse lutado contra o próprio
existir.
Durante o ato, a febre do fazer cala as dores,
mas depois, resta apenas o esgotamento silencioso
de quem se entregou inteiro ao instante.
O tempo e o trabalho fazem brotar um saber sem
palavras,
uma sabedoria que não se diz, mas se sente.
A arte se torna espaço e o espaço se torna arte,
cada som, cada mínimo movimento ganha nome,
e nada mais passa despercebido.
Já se entra no ato sabendo o que virá –
o que foi ensaiado e o que pode escapar.
Então, o tempo se suspende.
Os gestos encadeiam-se, obedecem a um ritmo secreto,
como fios entrelaçados, pontos que se encontram em
nós.
As mãos movem-se como num balé invisível,
um transe onde o inacabado se refaz,
onde o que falta se completa,
e, por um instante, quem nasceu incompleto se sente
inteiro.
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