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A vida ensina, mas é a fadiga que esculpe a lição.

A arte, essa, não se aprende – revela-se.

Há os que já nascem sabendo, sem nunca terem feito,

como se as mãos carregassem um destino mudo.

 

No início, o coração tropeça em si mesmo,

a mão hesita, vacila, mesmo conhecendo o gesto.

No fim, quando tudo se encerra,

o corpo sente como se tivesse lutado contra o próprio

existir.

 

Durante o ato, a febre do fazer cala as dores,

mas depois, resta apenas o esgotamento silencioso

de quem se entregou inteiro ao instante.

 

O tempo e o trabalho fazem brotar um saber sem

palavras,

 

uma sabedoria que não se diz, mas se sente.

A arte se torna espaço e o espaço se torna arte,

cada som, cada mínimo movimento ganha nome,

e nada mais passa despercebido.

 

Já se entra no ato sabendo o que virá –

o que foi ensaiado e o que pode escapar.

Então, o tempo se suspende.

 

Os gestos encadeiam-se, obedecem a um ritmo secreto,

como fios entrelaçados, pontos que se encontram em

nós.

As mãos movem-se como num balé invisível,

um transe onde o inacabado se refaz,

onde o que falta se completa,

 

e, por um instante, quem nasceu incompleto se sente

inteiro.

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Valdester Cavalcante Pinto Júnior

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